O Natal Montessori e os Presentes

O mês de Dezembro é marcado pelas festividades do Natal. Maria Montessori tinha uma maneira diferente de ver esta época do ano. Segundo Maria Montessori, dos 0 aos 6 anos, devemos ter muito cuidado com a introdução da fantasia na vida das nossas Crianças. Nestas faixas etárias as Crianças têm muita dificuldade em distinguir a realidade da fantasia, daí a necessidade de termos esse cuidado.

Montessori dá imenso valor à fantasia e à imaginação, mas isto numa fase em que a Criança já tem total consciência de que se trata de imaginação e não da realidade. Assim sendo, a figura do Pai Natal não deve ser enfatizada, assim como outras tantas figuras típicas desta época do ano que surgiram da imaginação de um adulto.

Esta altura do ano é então, para Montessori, uma época para comemorar a estação do ano, a família, a natureza, tudo o que nos rodeia diariamente e que de facto é real e consistente na nossa vida. É uma altura do ano linda, que não devemos deixar de festejar, mas a verdade é que existem mil e uma formas de o fazer transmitindo sempre a verdade às nossas Crianças.

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Outra questão muito pertinente nesta época festiva são os presentes. Quem já leu um pouco sobre Montessori sabe qual a opinião da Maria Montessori sobre este tipo de recompensas. O Natal é muito marcado pelo consumismo, as prendas que se compram, que se recebem, etc.

 

Estudos revelam que a maior parte das compras realizadas na época natalícia são de presentes para Crianças. Esses mesmos estudos dizem-nos ainda que 80% das Crianças recebem em média um total de 5 ou mais presentes no Natal, sendo que a maioria recebe 10 vezes mais presentes do que realmente precisava. Isto pode parecer assustador tendo em conta o número de Crianças que existem no Mundo, para não falarmos das Crianças que passam esta época do ano em extrema pobreza. Mas isso daria outro artigo. Voltando ao nosso assunta dos presentes.

Especialistas dizem-nos que dar muitos presentes às nossas Crianças pode ser contraproducente. O elevado número destes leva a uma hiperestimulação, que faz com que as Crianças, principalmente as mais novas, não aproveitem cada um desses presentes na sua totalidade sendo que nem prestam atenção a alguns deles.

Este excesso pode levar a uma apatia total fazendo com que as Crianças percam a ilusão devido ao excesso de estímulos positivos. Da mesma forma, este excesso pode ter um impacto negativo ao nível da tolerância à frustração, fazendo com que as Crianças desejem ter alguma coisa de imediato, independentemente do sacrifício necessário para obtê-las. Este é um dos grandes problemas dos presentes de Natal, como por magia as nossas Crianças têm um elevado número de presentes debaixo da árvore de Natal que muitas vezes nem sabem bem de onde vieram (foi o Pai Natal que os trouxe como recompensa do nosso bom comportamento).

O excesso de presentes prejudica o sentimento de esforço, generosidade e austeridade.

Então quer isto dizer que sugerimos que as nossas Crianças passem a época sem presentes? Não, claro que não. As nossas Crianças estão inseridas em toda uma sociedade em que esta é a tradição. Uma das solução não é fazer com as Crianças abdiquem de todos os seus presentes de Natal mas sim dar-lhes menos presentes, tentando que cada presente seja o mais útil e funcional possível.

Para isto sugerimos que recorra a uma estratégia muito simples, a regra dos 4 presentes de Natal.

Que regra é esta?

É uma ideia muito simples e que se baseia na teoria de que os presentes para as Crianças devem ser úteis. Os presentes devem ser escolhidos tendo o máximo de certeza de que serão usados pelas Crianças e que contribuem de alguma forma para o seu desenvolvimento (seja ele físico ou intelectual).

Na prática, para aplicar este princípio, devemos seleccionar apenas quatro presentes para as nossas Crianças. A chave está na escolha de presentes que respeitem os seguintes princípios:

  • Um presente que possamos transportar, seja roupa, sapatos, ou outros acessórios.
  • Um artigo vinculado à leitura, pode ser um livro em papel ou um ebook. Sim, este princípio aplica-se a Crianças desde o nascimento.
  • Um presente que a Criança deseja muito, para satisfazer as suas necessidades emocionais.
  • Um objecto de qualquer categoria que a Criança realmente precise.

Existem três aspectos que não devemos ignorar na escolha de um presente de Natal para Crianças:

  1. Ter em conta os gostos da Criança

Nem sempre é fácil escolher um presente para uma Criança tendo em conta os seus gostos, quer porque as expectativas da Criança são muito altas para a nossa condição económica, quer porque o presente não é apropriado para a sua idade. Ainda assim o presente escolhido deve ser sempre escolhido de acordo com as preferências da Criança, devemos ter a certeza de que além de gostar do presente a Criança irá utiliza-lo.

  1. Encontrar um presente de acordo com a sua idade

Cada objecto e material é projectado para uma determinada faixa etária. Assim irá corresponder o seu nível segurança e as suas funcionalidades. Recomenda-se então que a idade do material e da Criança seja sempre tida em conta. Por vezes, é melhor esperarmos um pouco para oferecer determinado objecto para que quando seja oferecido a Criança lhe dê o seu devido valor, perceba a sua real função e que acima de tudo a sua segurança não esteja comprometida.

  1. Escolher materiais e objectos educativos

Devemos ter sempre em conta a funcionalidade do material a oferecer. Nem sempre os melhores presentes são os mais caros ou os que estão na moda. Na realidade, os melhores presentes são aqueles que trazem benefícios e estimulam o desenvolvimento da Criança. Antes de comprarmos algum presente devemos estudar bem todas as funções do mesmo e de que formas poderá ser utilizado pela Criança.

Na teoria esta questão do número de presentes parece ser de fácil resolução, o problema que todos nós, pais, enfrentamos é que as nossas Crianças não recebem presentes só nossos. Temos sempre os avós, os tios, os amigos de família que gostam de presentear as nossas Crianças com algo.

A nossa sugestão, enquanto mães, é que os presentes sejam escolhidos pelos pais, ninguém melhor do que os pais para saberem as necessidades das suas Crianças, e depois passem essa lista de possíveis presentes a quem sabem que faz questão de oferecer algo. De início pode parecer incomodo, parece que estamos a escolher o que outros compram, mas na verdade estamos apenas a sugerir algo que sabemos que irá ter real valor para as nossas Crianças evitando assim gastos desnecessários por parte das pessoas que mais gostamos além de todos os benefícios que esta prática tem para a construção das nossas Crianças enquanto indivíduos.

Feliz Natal!

Artigo escrito com inspiração em :
Psicologia Infantil

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