A experiência de uma “Mãe Montessori”

Foi com um sorriso na cara que nos recebeu a “Mãe Montessori” JG.

.

Mãe de dois filhos, o R. de seis anos, e o M. de um ano e meio, com uma simpatia, descontração e bom senso que saltam logo à vista, é impossível não nos deixarmos contagiar pelo desejo de aprofundar e aplicar os ensinamentos da Pedagogia Montessori em nossa casa. Sem radicalismos, e, sobretudo, a confiar nos nossos instintos enquanto pais.

Foi uma manhã muito bem passada com esta mãe, onde recebemos muitos conselhos de como tornar a Pedagogia Montessori algo presente no nosso dia-a-dia e uma clareza que só a experiência pode dar.

Como é que tudo começou?

Quando se tornou mãe, confessa que percebia muito pouco sobre educação.

Quando colocou o filho mais velho na creche, deparou-se com uma atitude de estigmatização perante dos bebés. Estes eram separados por salas consoante as “competências físicas” e sem ter em conta o seu lado emocional, o seu lado intelectual, o que notou criar um desfasamento nada benéfico para as Crianças, que se ressentem desse facto.

Resolveu por isso começar a pesquisar a fundo as alternativas educativas existentes, e descobriu um mundo dentro do qual se apaixonou pelas pedagogias Montessori e Waldorf. O maior problema foi, contudo, a enorme falta de oferta a nível escolar.

Por coincidência, abriu uma creche Montessori perto da sua residência, para onde não hesitou transferir o pequeno R., e a experiencia não poderia ter sido mais enriquecedora. Perante o que foi aprendendo na escola com a Guia e perante os resultados que via no filho, o seu interesse pela Pedagogia foi crescendo cada vez mais, tendo por isso continuado a aprofundar os seus conhecimentos na matéria, com o objectivo de aplicar também em casa.

Quarto3

No entanto,rapidamente compreendeu que uma coisa é conhecer a Pedagogia, e outra é começar a aplicá-la na prática. Não foi um caminho fácil, foi um caminho longo, mas entretanto passaram-se seis anos e aqui chegou.

Reconhece que a experiência do primeiro para o segundo filho acabou por ser completamente diferente. A bagagem que começou a adquirir com o seu filho mais velho trouxe-lhe algumas vantagens para a educação do pequeno M.. Sobretudo, uma forma diferente de viver a maternidade, com uma capacidade de relativizar que só a experiência ajuda a alcançar, uma nova forma de viver o seu papel de mãe, com mais liberdade e com mais confiança nos seus instintos.

Aprendeu ainda a viver a maternidade em família. Isto significa ter em conta as necessidades da família e não unicamente daquele bebé em concreto, ao mesmo tempo que se responde à personalidade única de quem tem diante de si, porque todas as Crianças são diferentes.

Ilustra esta aprendizagem com um exemplo muito concreto: se para uma Criança dormir sozinha pode ser conseguido aos quatro meses, para outra essa separação pode ser mais prolongada. Não faz sentido ficar sem dormir a tentar que esse filho aprenda a dormir sozinho só porque supostamente tem idade para isso, se tal implica noites mal dormidas para todos, com consequências no dia-a-dia que são evidentes. É preciso saber escutar, sentir e observar, respeitando os ritmos da família e os ritmos de cada um. E Montessori não é isso mesmo? Respeitar o ritmo de cada Criança?

Como em tudo na vida, o bom senso é algo que deve estar sempre presente. Em relação a todos os assuntos relacionados com as Crianças há muita informação disponível na Internet e é preciso conseguir distinguir a boa da má informação. O bom senso e os sinais da Criança são essenciais para fazer a seleção.

É um caminho, e o seu já vem de há seis anos atrás.

Montessori como Estilo e Vida

Para mim Montessori é um estilo de vida. Não é só o material que se utiliza mas o que está por detrás disso, a filosofia.”

Mais uma vez elucida-nos com um exemplo: o papel de embrulho dos presentes dos amigos dos filhos. Na mesa de trabalho do R. tem sempre uma folha em branco grande a cobri-la por inteiro, onde a Criança tem a liberdade de desenhar, expressar-se e experimentar à sua vontade. Sempre que a folha fica preenchida com os desenhos e inspirações do R., em vez de deitar o papel fora, enrola-o, e serve de papel de embrulho para os seus presentes que oferece aos amigos. Desta forma re-utiliza o papel que serviu primeiramente como protecção da mesa, passando por um meio de experimentação, notas, esquiços e renascendo como papel de embrulho para os amigos.

2017-05-27-PHOTO-00015962 (1)

Este exemplo prático tem em si uma filosofia que tentam aplicar em tudo. Desde os mobiles que fez em conjunto com o R. e com o pai para quando o M. nascesse, com materiais que foram encontrando na praia: “Não é um mobile Montessori, mas na verdade para mim segue o princípio, de ver para além do concreto e do óbvio, ver o lado multifuncional de cada objeto, saindo ‘fora da caixa’ e estimulando a criatividade. Também construímos os mobiles Montessori, aliás fazíamos dos mobiles uma actividade/projeto que o mano mais velho sentia orgulho quando o ‘bébé’ interagia, o R. Rematava sempre com um: Foi o mano que fez!.”

Deixar que tudo aconteça naturalmente

JG sublinha a importância de permitir que tudo aconteça naturalmente, como uma parte muito importante da aplicação desta Pedagogia.

Por exemplo, em relação ao assunto de dormirem no chão foram experiências completamente diferentes para cada um dos filhos, e tem uma opinião bem formada em relação a este assunto.

Quarto6

Se um bebé é deixado no quarto, numa cama no chão e não consegue dormir sozinho, é porque não está pronto, e é um erro preocuparmo-nos em demasia e criarmos demasiada pressão para que isso aconteça. “Se há algum tipo de preocupação, o melhor é deixar o assunto amadurecer por si. O momento há-de surgir e será sugerido pela criança, basta estarmos atentos aos sinais e irmos testando. Montessori é isso. É deixar que as coisas aconteçam naturalmente.” A imposição de regras não pode funcionar com bebés que são todos diferentes entre si. Se para uns dormir sozinhos a partir dos quatro meses é possível e resulta de forma natural à primeira tentativa, para outros não será assim. É por tentativas… Se não funciona aos seis meses, tenta-se no mês seguinte.

O mesmo em relação à amamentação e a tantos outros hábitos que fazem parte da vida e do crescimento dos mais novos.O que funciona para mim é não pensar nas coisas como um problema ou como uma preocupação, pois por experiência própria sei que o momento surge naturalmente. Ele vai acontecer. E isto é aplicável em tudo.”

Apresentação de Materiais

 “Adoro a filosofia de Montessori, os materiais e a forma como os temas são introduzidos. Mas não os sigo à risca. No entanto os princípios estão em quase tudo o que fazemos, a lógica de tudo estar acessível à Criança, de a Criança ser independente, usar ou não usar, tomar decisões, isso eu acho fundamental.” As Crianças sozinhas são capazes de escolher o que querem fazer e sentarem-se calmamente a fazê-lo. Isto permite-lhes crescer a conhecerem-se a si próprios, a saberem o que querem e a acreditar que são capazes.

Quarto4

Tem, por isso, as actividades dispostas de forma organizada e acessível para ambos os filhos, que vai trocando com alguma periodicidade.

Quando chega a altura de apresentar uma actividade nova ao filho mais novo, confessa que “80 % das vezes não funciona. Ele agarra no material e faz outra coisa completamente diferente. Mas não importa, não corrijo, deixo-o explorar e depois volto a apresentar, com o continuar do tempo, ele próprio vai e faz sozinho.” Acaba, de facto, por se surpreender um dia em que chega ao quarto e o M. está a fazer a actividade sozinho. Nunca um material funciona à primeira, logo após ser introduzido, é preciso ter paciência, e ou deixa-se o material, ou retira-se para coloca-lo novamente mais tarde.

Com o filho mais velho já funciona de forma diferente, e é mais fácil introduzir novas actividades, que podem fazer em conjunto ou deixá-las para fazer de forma independente. Além disso, trabalham muito à base de projectos que o ajuda a desenvolver a partir dos seus interesses em cada momento.

Versatilidade dos Materiais

Para JG o material Montessori tem a grande vantagem de ser muito versátil. Um material que é apresentado com um certo objectivo aos doze meses, se for preciso aos três anos ainda está a ser utilizado com um propósito completamente diferente. Um material pode ser usado várias vezes, de várias formas e com diferentes propósitos.

Dá-nos o exemplo da palete de cores: um material cujo propósito base é apresentar as cores primárias. 2017-05-27-PHOTO-00015964 (1) (1)

Uma vez estando este propósito adquirido, podemos evoluir e introduzir outros conceitos associados às cores. Com as placas expostas em cima da mesa podemos pedir à Criança várias acções: “agora coloca o amarelo em cima do vermelho”, “agora coloca todos alinhados na horizontal”, “agora põe o azul no canto esquerdo”, e continuamente numa infinidade de opções (“cima”, “baixo”, “vertical” “horizontal”, “canto”, “direito”, etc), servindo para aprender muitos outros conceitos.

Um material pode abarcar uma série de noções. “É isto que eu amo em Montessori. Eu não sigo à risca as coisas Montessori. Gosto de interpretar o material deixando que sejam eles a conduzir essa nova interpretação do material. Começo com o que recomendam, e dali recriamos juntos uma série de coisas. E isso acontece tudo naturalmente com a maior parte dos materiais, embora não com todos.

 

Actividades da Vida Prática

Com o mais pequeno começaram as actividades da vida prática com potes de vidro pequenos (dos iogurtes) onde colocavam grão, e o primeiro objectivo era transferir o grão de um copo para o outro. Foi testando. Após uma primeira tentativa onde percebeu claramente que não estava preparado, retirou aquele material da prateleira. Passado algum tempo voltou a tentar, e aí o M. já compreendeu o que tinha de fazer.

Normalmente estas actividades da vida prática deixa-as disponíveis na prateleira, mas sobretudo numa mesa pequena que tem no canto da sala, perto da cozinha.

Em alternativa, quando pretendem por exemplo realizar atividades com água, usa a torre de aprendizagem muito comum na prática Montessori, e coloca o Martim ao nível do lava loiças com um tabuleiro. Aqui faz inúmeras actividades, como a transferência de água de um recipiente para outro: começa com um recipiente maior e vai reduzindo, sempre com o objectivo de ser uma competência que um dia mais tarde irá poder usar, neste caso do jarro de vidro para o copo de vidro.

Outro bom exemplo é a utilização da vassoura. Depois das refeições, o M. já adquiriu o hábito de ir varrer o chão à volta do espaço onde comeu. Se ele não se lembra, relembram-no calmamente.

E como foi este hábito introduzido? Aos poucos: depois de comer, conduziam-no para em conjunto limparem o chão, até que começou a ir sozinho. O resultado está longe de ser perfeito, mas faz, e chegará o dia em que faz e consegue sozinho. Começa muito “lá atrás” e vai devagarinho.

Além destas actividades que vai introduzindo e adaptando à medida da evolução dos filhos, tem também uma espécie de zona de vida prática no quarto onde tem os sapatos dispostos para o mais novo. Embora ainda não seja capaz de os calçar sozinhos, já começa a perceber o conceito. No armário já tem uma parte de baixo mais acessível, com poucas roupas, onde tem acesso por exemplo a um cesto com meias. “Traz-me as meias”, e o pequeno M. já as trás.

O R. tem também no armário uma parte mais baixa onde tem à disposição toda a sua roupa da estação respectiva. Já com outra idade e com alguma orientação, é capaz de desempenhar muitas tarefas de forma independente, o que vai sendo constantemente incentivado pelos pais.

Quarto8

Não tem a casa ou o quarto divido rigidamente nas secções que existem por exemplo nas escolas Montessori, mas tem a flexibilidade de ir adaptando a vida e a casa de forma a incentivar a autonomia e independência dos seus filhos, à medida que vão sendo capazes.

 

Alguns exemplos de Actividades

Mostrou-nos um pouco como utiliza alguns materiais com o M.

Uma actividade muito adorada é a dos animais. Primeiro procura incentivar a aprendizagem do nome dos animais: coloca em cima da mesa três animais dentro de um tabuleiro com os cartões correspondentes, que imprimiu da internet e mandou plastificar, ao lado e diz os respectivos nomes. Depois pede para ir buscar o “gato” e o M. terá de o ir buscar e coloca-lo junto do cartão correspondente. Mais tarde, quando for altura de ser ele a começar a dizer os nomes dos animais, pega num animal e questiona “o que é isto?” e ele já tem de dizer “gato”.

Tem uma caixa com os animais que o filho mais velho foi colecionando, e quando sente que já sabe perfeitamente os animais todos que estavam no tabuleiro, troca os animais e vai rodando.

A mesma lógica aplica-a para a aprendizagem de um conjunto enorme de conceitos, como por exemplo os frutos e vegetais. Por norma não gasta dinheiro de propósito, mas utiliza por frutas de brincar que eram oferecidas num supermercado, e quando não tem as que pretende introduzir, usa mesmo as frutas/legumes que tem na cozinha.

img_2397.jpg

Mostrou-nos ainda o exemplo das cores: para além da caixa de cores primárias, utiliza cartões A4 cada um de uma cor, e, dentro da mesma lógica, conseguiu ensinar-lhe as cores: colava três cartões de cores diferentes ao pé de uma mesa ou num canto junto da cozinha. Com isto, podia estar a fazer o jantar, e ia pedindo ao M. para dizer os nomes das cores, primeiro em português, depois em inglês, volta a misturar conceitos “toca com a mão no azul”, “toca com o no vermelho”, “vai buscar um objecto amarelo”. A tal versatilidade muito característica da Pedagogia Montessori, uma riqueza enorme ao nível dos materiais que normalmente nunca são materiais acabados. Mais uma vez, só mudava as cores quando as três estavam todas sabidas.

JG volta a dar-nos, neste contexto, uma excelente definição prática do que é Montessori: “é ir conseguindo utilizar coisas de casa e ir fazendo à medida e sempre respeitando os interesses da Criança”. Coisas do quotidiano com as quais as Crianças irão, de facto, lidar.

Sugestão de Livros

JG procura utilizar livros relacionados com as concretas aprendizagens que os filhos vão vivendo, sempre que possível com imagens reais. Por exemplo, ao pé da mesa das refeições tem um livro relacionado com os alimentos. Está também a iniciar o desfralde com o M., e ao pé do bacio tem um livro para Crianças sobre essa temática. Sublinha mais uma vez quanto a este aspecto importante do desfralde que deixa sempre tudo acontecer de forma natural, sem forçar.

O R. tem também junto da sua mesa de actividades livros que o ajudam a procurar ideias, a inspirar a sua criatividade, como por exemplo, um livro que dá ideias sobre novas construções para fazer com legos (a seu hobbie preferido).

No quarto tem ainda dispostos alguns livros acessíveis a ambos, e outros, mais sensíveis e que possivelmente irão estragar por terem muitos detalhes, numa prateleira mais alta. O R. tem mais acesso a estes livros, tendo já consciência do cuidado que é preciso ter. Quanto ao M., já aprendeu que quando quer aponta e veem conjuntamente. Esta é também uma forma de o ensinar a respeitar.Quarto5

 

Canto da Música

Num espaço do quarto encontra-se o canto da música, com vários instrumentos, incluindo alguns homemade, e livros relacionados com a música. O filho mais velho utiliza o pequeno piano, e tem um livro com uma pauta onde as notas são apontadas com certas cores que depois encontram a correspondência nas teclas do piano.

IMG_2406

Vemos um xilofone e também o famoso tambor tantas vezes associado à Pedagogia Montessori, mas que na realidade não faz parte desta Pedagogia. É antes um tambor com um som encantador, que foge ao som estridente das baterias e instrumentos que tantas vezes encontramos à venda para as Crianças, e que estimula o seu sentido auditivo. Utiliza também o guizo que usou como mobile, e paus de chuva feitos pela própria com o qual ensinou conceitos como os de baixinho e alto.

De que forma és uma Observadora Atenta no dia-a-dia?

“Montessori não é rigidez, pelo contrário. É estar aberto  observar, observar e observar, quanto muito guiar partindo sempre dessa observação.”

Sermos observadores atentos é isso mesmo. Estarmos verdadeiramente atentos. “É ele que me está a liderar a mim”, mesmo quando isso seja o contrário do pré-estabelecido. “Se há um interesse em alguma coisa, se há um período sensível, temos de estar atentos porque se entretanto passa torna-se mais difícil aprender com a mesma facilidade. Isto pode criar uma certa pressão nos pais, mas de facto temos de estar atentos e acompanhar a Criança nos seus interesses em cada momento e guiá-los nessa busca. E cada bebé é um bebé, um ser único. E o que funciona para um numa determinada idade, pode não funcionar para outros, nada pode ser predeterminado.”

Se aquele bebé estiver mesmo interessado em saber por exemplo os números ou as cores, mas a teoria sugerir que esse tipo de interesse surge numa idade diferente, não temos de seguir a teoria. O mesmo se aplica se a Criança não demonstrar qualquer interesse numa actividade que supostamente já deveria estar a desempenhar. “Temos sim de seguir a Criança, estar atentos, observar e ir alimentando aquele interesse que demonstrou. Olhar para a Criança como um ser único.

Neste caminho, JG utiliza os guias, os livros e a informação disponível, mais para retirar ideias de actividades, do que para “segmentar” as fases pelas quais passam os seus filhos. Caso queira trabalhar as cores ou os números e uma certa actividade não esteja a funcionar, vai procurar outras ideias, outros materiais, outras actividades, e utiliza-as ou adapta-as. Tudo isto surge naturalmente.

Daí ter deixado de dar importância à segmentação que se faz nas actividades no que respeita às idades. “É adaptar as actividades e os seus objectivos à evolução de cada Criança.

Aprender a reutilizar e a criar

A capacidade de reutilizar um objecto de várias formas. Gosto de passar essa mensagem para eles”.

Muitas vezes acontece o filho mais velho afirmar que quer alguma coisa que não tem ou que os amigos têm e ele não. Nestas situações, JG aproveita a oportunidade para desafiar a sua criatividade e criarem algo em conjunto. “Mas como?” “Vamos pensar. Vamos pensar em conjunto.

Mais uma vez, ilustra-nos com um exemplo, neste caso dos fatos de carnaval. Já aconteceu o filho, apaixonado por dinossauros, querer um fato de pterodáctilo. Em vez de ir tentar comprar um e gastar dinheiro com um fato que vai ter uma utilização, incentiva antes a fazer ele próprio o fato que quer, e fazem então um projecto daqui.

O que é o pterodáctilo?”, “Onde existiam?” “Como fazer um?”, “Do que vamos precisar?” Fazem em conjunto um enorme trabalho de pesquisa, que acaba por envolver o conhecimento de muitas variantes, e após um mês, tinham a farda pronta.

A importância de envolver as Crianças em projectos é algo muito comum no Movimento Escola Moderna e na Pedagogia Montessori. É uma forma de captar o interesse da Crianças num determinado assunto e daí partir para a aprendizagem de muitas ferramentas. Por exemplo, ver num mapa-mundo onde existiam os dinossauros (Geografia), o que aconteceu aos dinossauros (História), como era o seu habitat (Ciências da Natureza), como criar um (Criatividade, Arte), onde podemos encontrar vestígios (visitas de estudo), que sons emitiam, e tantas outras coisas que se podem aprender, através de ferramentas transversais que poderão ser levadas para a vida.

E isto aplica-se em tudo! E gosto muito de passar esta mensagem, tanto nisto como nos materiais.” JG incentiva os seus filhos a fazerem as coisas, a procurarem ideias em livros, incentiva a criatividade, a reutilização dos materiais que tem. E o sentimento de conquista que cria nos filhos, o sentimento de que são de facto capazes por si próprios, é algo que levarão para a vida.

E quanto ao caminho que as escolas têm a percorrer?

Para JG estas estão longe de atingir um ponto ideal e há um grande caminho a fazer. Porque não se trata unicamente de pedagogia, mas das pessoas que as dão. As pessoas que as aplicam. E isso reflete-se em tudo na vida. É preciso fazer as coisas por paixão e acreditar.

Onde busca inspiração para encontrar estas actividades?

Apoia-se muito na Internet e nas inúmeras inspirações que lá encontra para actividades que vai adaptando para os seus filhos. Como livro de referência recomenda o “How to Raise an Amazing Child”.

Soube a pouco o tempo que passamos com esta querida Mãe, sobretudo com tudo o que teríamos a aprender com a sua experiência. No entanto, saímos daqui com a certeza de que não precisamos de montar uma escola Montessori em casa para aplicar os seus princípios com os nossos filhos.

Montessori é de facto um estilo de vida, que passa por seguirmos a Criança e adaptarmo-nos às suas concretas necessidades e interesses em cada momento. Observar e deixar acontecer naturalmente.

 

3 thoughts on “A experiência de uma “Mãe Montessori”

  1. Muito obrigada pelo vosso testemunho. Revejo-me em alguns pontos que tocam no vosso texto. Estou grata, há cada vez mais pais a usar este método em casa e que por esta razão não precisa de tanto investimento em materiais como numa escola. Mas os resultados aparecem… Bem hajam!

    Gostar

  2. Testemunho interessante, demonstrando muita dedicação, respeito, imaginação, e muita disponibilidade. Seria ótimo que todas as crianças pudessem ter a oportunidade a estas aprendizagens, embora o fator TEMPO dificulto aos pais que trabalham estes ensinamentos, apesar da reportagem testemunhar tudo isto como um novo conceito de vida o que era bom que estivesse sempre presente no nosso dia a dia e que em todos os locais infantis ( escolas creches, jardins de infância) aplicassem estes métodos. Se calhar seríamos uns adultos também mais felizes. Muito bom.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s