Viajar com Bebés

Viajar com bebés é fácil, é divertido, é rico e é gratificante. E é algo que também pode suscitar alguma admiração.

Ou porque são demasiado pequenos para grandes viagens, seja de carro ou de avião. Ou porque exige demasiada logística com toda a artilharia de carros, camas, biberons, fraldas, mudas de roupa, e tantas outras coisas. Ou então porque um bebé dá de facto trabalho e o objectivo das viagens normalmente é descansar. E, além de tudo isso, é ainda muito provável que não se irão lembrar de nada quando forem mais velhos.

Também se costuma apontar muitas vezes que os bebés gostam e precisam de rotinas, e que uma viagem implica um quebrar dessas rotinas. No entanto, a verdade é que tão importante quanto isso é desenvolver a capacidade de adaptação do bebé a uma quebra de rotinas, é a criação de novas rotinas em viagem e, sobretudo, estar na companhia da sua família em momentos de grande felicidade, que é tudo o que os bebés mais querem e precisam.

Para além disso, o bom senso tem de estar presente na escolha do destino de férias. Um local que tenha acessibilidade a cuidados de saúde, algumas condições de higiene e outras questões. É verdade que os bebés podem ser mais susceptíveis a doenças, mas não é menos verdade que temos um maior controlo sobre o que e com quem têm contacto.

Viajar com um bebé de poucos meses normalmente até é mais fácil do que com Crianças maiores. Um bebé que ainda não se consegue mover sozinho e que ainda se deixa adormecer profundamente ao som de barulhos brancos (como é o do avião), é mais fácil de “transportar” do que um bebé mais crescido que precisa de se mexer, de ser entretido e alimentado noutros termos. No entanto, quando estas vantagens deixam de existir, outras tomam lugar, como a cada vez maior interacção da Criança com o mundo, a cultura, as pessoas, os lugares, os sabores e os cheiros que sentem e vivem quando viajam.

A verdade, enfim, é que viajar com bebés é muito mais fácil e faz-lhes a eles e a nós muito melhor do que  parece.

Viajar de Avião

Viajar com bebé 4
whattoexpect

O maior medo que os pais normalmente sentem é sobre a questão da altitude, da pressão que se sente nos ouvidos e de como cuidar de um bebé durante a viagem.

Tenhamos em mente que os desconfortos que eles podem eventualmente sentir são os que nós sentimos também.

Quanto à questão da pressão dos ouvidos, o truque é fazer coincidir a hora de beber leite com a hora de descolar e aterrar. Seja com leite materno ou com biberon, deve-se tentar aguentar o máximo que se conseguir até ao momento da descolagem ou quando começa a descida. A sucção do bebé irá aliviar os sintomas da pressão nos ouvidos, para além de que serve de consolo para qualquer desconforto que possam sentir.

Pode acontecer por algum motivo que seja impossível fazer coincidir a hora de descolar ou aterrar com o iniciar da refeição. Se estiver a dormir, não vale a pena acordar, pois não irá sentir os efeitos e caso entretanto acorde, oferece-se o leite. Se não estiver a dormir nem quiser comer, tenta-se a chucha ou entrete-los de outra maneira.

Durante a viagem o som do avião funciona como um excelente barulho branco, por isso grande parte da viagem será mesmo a dormir, ao colo. Além disso, as casas de banho têm muda-fraldas práticos de utilizar, aconselhando-se apenas a escolha de um lugar perto da casa-de-banho. De resto, tudo o que seja preciso pode ser pedido às assistentes de bordo, e tenha sempre à mão toalhitas.

Normalmente há até uma maior flexibilidade no que toca à passagem pela zona da segurança nos aeroportos com líquidos e outros produtos alimentares destinados a bebés até aos dois anos que tenham mais de 100 ml, como sejam produtos industrializados. Informe-se junto do aeroporto local.

Por fim, dependendo da duração da viagem, poderá transportar o bebé ao colo, se forem viagens de curta duração, ou ficar em lugares próprios que têm uma espécie de cama para bebés caso sejam viagens de longo curso. Caso queira, poderá ainda levar o ovo do bebé e colocar no banco, mas aí terá de pagar um bilhete inteiro.

“Artilharia” leve e pesada (carrinho, cama, roupas)

Quanto à logística e artilharias, temos de simplificar.

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É verdade que os bebés precisam de coisas e nós temos de carregar essas coisas. Entre as necessidades de alimentação, um sitio seguro para dormir, entre outras coisas.

É essencial perceber os ritmos do bebé ao nível de alimentação, da forma como gosta de dormir e de que formas aceita melhor ser transportado, se de carrinho, se de marsúpio, se ao colo ou se de todas ou nenhumas formas.

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Quanto à alimentação, se estiver a amamentar o processo fica facilitado, para além da vantagem da protecção que acaba por acrescer ao bebé com os anticorpos do leite materno, e evita ter de se esterilizar tudo. No entanto, caso esteja a ser alimentado com leite artificial, há sempre possibilidade de esterilizar o que for preciso (seja no avião, restaurante, hotel) e fazer exactamente como se faz quando estamos em “casa”.

Um sling ou um marsúpio também poderão ser muito úteis, pois facilitam o transporte, mantém as nossas mãos livres, ocupam pouco espaço, podendo mesmo servir de “cobertor” nos destinos mais frios.

Em relação ao carrinho, a verdade é que, consoante a aceitação do bebé e o país de destino e do tipo de viagem, pode vir a ser ou não ser útil. No entanto, é sempre um espaço onde o bebé poderá dormir as suas sestas, ser transportado, e servir mesmo de suporte para algumas malas.

Caso opte por levar carrinho, quanto mais pequeno e prático melhor (existem alguns que se conseguem colocar inclusive dentro dos compartimentos da cabine onde colocamos as malas de mão). No entanto, seja que carrinho for, é sempre possível despacha-lo para o porão mesmo antes do embarque, e andar com ele durante a viagem (atenção à escolha do hotel ou do apartamento para que não seja preciso subir escadas).

De resto, não nos podemos esquecer que tudo o que vier a ser preciso, é muito provável que se irá encontrar à venda no destino. Temos normalmente a tendência de tentar prever todas as situações possíveis e imaginárias e encher a mala de soluções. No final, acabamos por nem utilizar 60% de tudo o que levámos, e as desvantagens de ter demasiado peso para transportar acaba por não compensar.

Viajar com Bebé 3

Viajar com um bebé por si só pode ser mais exigente, pelo que quanto mais leve e prática for a bagagem, mais fácil e divertido será todo o processo. Não são precisas demasiadas mudas de roupa, pois se a roupa se sujar, pode sempre ser lavada à mão ou à máquina,  para além da vantagem de serem peças pequenas.

As fraldas e toalhitas podem ser compradas lá. Caso utilize fraldas de pano, informe-se previamente das condições existentes no destino para poder lava-las. Quanto aos produtos de higiene, reduza-os para frascos transparentes, e junto-os todos num compartimento próprio e fácil de aceder, para agilizar o processo de passagem pela segurança nos aeroportos.

A palavra de ordem é: simplificar! Não há nada que não se vá encontrar ou solocionar.

Mas para quê se só nos vai dar mais trabalho e não se vão lembrar de nada a seguir?

Não se vão lembrar de nada, é certo. Da mesma forma que não se lembrarão do tempo, atenção e amor que lhes dedicamos, das sensações que lhes transmitimos, da forma como brincamos com eles.

Mas sabe-se, com cada vez maior certeza, que todas estas acções, pelo facto de acontecerem precisamente nos primeiros anos de vida das Crianças, as irão marcar para o resto da vida, moldando a sua personalidade e definindo o sistema de crenças que os irá acompanhar.

Não se irão lembrar das viagens, mas vão ficar certamente marcados por elas. Pelas novas sensações que experimentam, as novas caras que vêem e novas línguas que ouvem, cheiros, pelos ares de outras culturas e ambientes, pela alegria da família, de estarem com a família e de se sentirem parte daquela família.

E para nós, sentir que lhes estamos a proporcionar tudo isso, é uma alegria enorme.

Viajar com um bebé não é a mesma coisa que viajar a dois ou entre amigos. Temos de adaptar o ritmo de viagem e as nossas expectativas, tal como a nossa vida toda mudou com a chegada de um bebé. No entanto, é toda uma nova forma de viajar, onde as necessidades do bebé de comer, dormir, brincar encaixam-se naturalmente na rotina de viajar, sendo, no final, muito mais fácil do que parece.

O regresso a casa? Sabe sempre bem. Para nós e para eles que ficam visivelmente felizes de voltar também. Não pense muito, seja cá dentro ou para o estrangeiro, viaje! Não se vai desapontar.

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