E nem tudo são rosas

Hoje venho partilhar com vocês uma parte menos boa deste percurso de ser mulher e mãe.

Desde que somos pequenas que nos incutem a ideia de que a mulher ideal tem que casar e ter filhos. Somos induzidas a esse pensamento seja em casa com os exemplos que temos, seja na televisão em filmes e desenhos animados.

Pois bem, comigo não foi diferente. Até que tive a primeira menstruação e as dores indescritíveis começaram. Não havia medicação que me fizesse sentir melhor, muitas dores, desmaios devido às dores, mau estar constante, dores, dores e mais dores. Claro que estas dores não tinham nome e não passavam de uma “mariquice”, eu é que era muito sensível à dor. Procurei a opinião de inúmeros médicos, ouvi vários diagnósticos e até comentários desagradáveis. Este meu percurso começou quando eu tinha 12 anos.

Quando fiz 20 anos resolvi que estes sintomas não poderiam ser normais e isto que sentia tinha que ter um nome. Procurei doenças com os mesmos sintomas até que achei uma doença em que os sintomas eram todos aqueles que eu estava a sentir durante anos. E o nome era “Endometriose”. Procurei um especialista na doença e lá fui eu (para Lisboa). Na primeira consulta o diagnóstico ficou feito, fiz mais exames para perceber a extensão do problema, mas elas, as dores, já tinham nome.

Finalmente!

Por estranho que pareça fiquei feliz, saí da consulta com menos um peso em cima de mim. Agora era seguir os passos que o médico me indicasse. Mas ter aquele nome foi de facto um alivio.

Uma das consequências da doença é a infertilidade e a dificuldade em levar uma gravidez até ao fim. Aqui o sonho que me tinham incutido desde pequena tinha desmoronado. Tirei logo da cabeça a ideia de ser mãe para não sofrer futuras desilusões. Os anos foram passando e as minhas convicções também, acreditei que ia engravidar e fiz alterações no meu modo de vida para que isso acontecesse. Alterei a minha alimentação, o meu modo de estar perante a vida.

E o improvável aconteceu em um mês.

Acredito piamente que nós somos aquilo em que acreditamos, e claro, aquilo que comemos. Nada é impossível. Quero dar o meu testemunho para quem está na mesma situação que eu. Não deixem de acreditar e se têm estes sintomas mas não têm um diagnóstico procurem médicos especialistas.

Para darmos a conhecer esta doença dia 25 de Março de 2017 será realizada uma marcha a nível mundial, que em Portugal irá decorrer em Leiria e Quarteira. Venham participar, venham conhecer melhor a doença e ajudem-nos a que este nome “Endometriose” chegue ao maior número de pessoas possível.

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