15 dias na unidade de Neonatologia

Como prometido aqui estou eu para contar a continuação da minha aventura com uma bebé prematura ainda na unidade de neonatologia.

Então, no sábado já podíamos tocar na princesa. Finalmente o momento tinha chegado, eu nessa altura ainda estava internada no hospital, mas para meu azar resolveram dar-me alta nesse dia. Enquanto não estivesse tudo tratado da alta eu não podia sair por muito tempo da zona onde era o meu quarto. Para quem felizmente não passou pela experiência, a ala de neonatologia ainda é um pouco longe de onde nós ficamos depois de termos os bebés, é tudo no mesmo piso mas quase na ponta oposta.

Mais uma vez aquele momento com a minha filha estava em stand by pois tinha milhentas coisas para tratar do outro lado. Lá resolvi toda a burocracia que tinha para resolver, fiz as minhas malas e esperei ser vista pela médica que me ia dar alta. Durante a observação a médica achou que eu estava muito pálida e que não tinha a certeza se me ia dar alta, pediu que aguardasse no quarto. Ia ver o meu processo lá fora e já me dava a confirmação. Esperei, esperei, esperei (não podia sair do quarto), continuei à espera. Bem, quando se lembraram a dar-me alta era quase meio da tarde. Para quem está a espera parece sempre muito tempo, para quem esta à espera de pegar filha ao colo pela primeira vez parece uma eternidade.

Quando consegui chegar perto da minha filha deviam ser quase umas 17h00, tive de ouvir as enfermeiras da unidade de neonatologia a reclamar por não ter chegado mais cedo, mas lá expliquei, elas nem se tinham apercebido que eu ainda estava internada (acho que era um elogio, não devia parecer que tinha acabado de parir). Entretando como já era tão tarde também não convinha mexer na bebé, era a primeira vez, ia ser um grande estimulo para a ela, então já não era hora para isso. Ok, bora lá mais uma dia. Sentia-me uma criança que tem o doce à frente mas não lhe pode tocar.

Lá fui eu para casa, a minha primeira noite em casa. Como a bebé estava a incubadora e eu não tinha contacto com ela, tinha estado todos estes dias a tirar leite com bomba a cada 2 horas (incluindo de noite) para ela ser depois alimentada por sonda nasal. Então lá fui eu para casa com a minha filha adoptiva, a bomba de extracção de leite. De duas em duas horas lá estávamos nós, fosse dia fosse noite.

A nossa rotina diária era ir para o hospital as 9h00 da manhã e sair de lá perto das 20h00. A partir de domingo já conseguimos mexer nela. Nós é que trocávamos as fraldas, dávamos banho (só de compressas), finalmente era a NOSSA filha.

No hospital defendem muito o método do canguru, no qual passamos o máximo tempo possível com o bebé em contacto pele com pele com o pai ou com a mãe. E foi assim que passamos os dias seguintes (isto foi a 11/09 e ela teve alta a 20/09). A D passava os dias a fazer canguro connosco, ora comigo, ora com o pai, revezávamos entre um ou outro para eu ir tirar leite, irmos almoçar ou lanchar e idas ao wc. A nossa pipoca nunca ficava sozinha, só quando fomos à segurança social que tínhamos mesmo de ir, existem prazos mesmo nestas situações, o que acho ridículo.

Felizmente nem todos passam por isto, mas acho que os pais de bebés prematuros ou que ficam internados por outro qualquer motivo deviam ser tidos em consideração, são períodos muito complicados, de uma violência emocional gigante e que ninguém pára para pensar nisso. Mas isso será tema para outro post.

Como depois a D começou a ser só alimentada por mama tive que voltar para a dormir no hospital para ver se ela já tive independencia alimentar para ir para casa. Lá fui eu, de duas em duas horas lá me ligavam para o quarto durante a noite para lhe ir dar de mamar.. Assim passamos mais uns dias, voltei para o hospital a 15/09 até ao dia da alta a 20/09..

E assim chegou  o dia de alta, o dia mais esperado. Finalmente iamos ter a nossa bebé só para nós, estavamos mesmo ansiosos por esse momento. As semanas seguintes, conto para a próxima, também foram uma aventura, mas uma aventura muito melhor do que a que tinha sido até aqui.

Catarina Jerónimo

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One thought on “15 dias na unidade de Neonatologia

  1. Realmente as coisas mudam muito de hospital para hospital. Como sabes a Madalena tbem esteve 15 dias na neo mas lá eram apologistas dos bebés dormirem na incubadora e depois berço, só podíamos pegar na hora das mamadas (de 3 em 3h) e se estávamos muito tempo com eles ao colo iam “reclamar”. E a partir da 00.00 já não podíamos dar de mamar.

    São experiências complicadas mas tivemos muita sorte de ser só 15 dias e as nossas princesas serem fortes e sem os problemas associados à prematuridade 😉

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