Mãe Maria

“Ninguém nos prepara para a Maternidade”. Esta deve ser das frases que mais ouvimos quando estamos prestes a entrar neste incrível e complexo mundo. “Sim… já sei, tenho de dormir muito e descansar porque a minha vida vai dar uma volta gigante…”

Passamos pela incrível experiência do parto, voltamos para casa, adaptamo-nos a uma vida nova, e um dia acordamos e apercebemo-nos de que de facto essa volta aconteceu.

A Maternidade mudou algo em mim, algo para melhor. O meu bebé nasceu e com ele nasceu em mim uma energia transformadora na vontade de ir ao encontro de mim mesma, tornando-me uma melhor pessoa para ser uma melhor mãe, e ir ao encontro da minha vontade de contribuir para um mundo mais feliz.

Tornou-se então prioridade fazer o melhor trabalho possível para que ele cresça de forma saudável e feliz, a conhecer e saber exactamente o que quer para si e para a sua vida, ao mesmo tempo que quero que cresça para e em Paz, numa sociedade que pode realmente ser melhor.

E sei que isso depende dos pais dele e da comunidade onde se insere. Acredito que cabe a cada um de nós, enquanto educadores, um papel de uma responsabilidade quase definitiva no traçar desse caminho para os nossos filhos. Aquilo que nós somos, aquilo que nós fazemos, aquilo que nós transmitimos, irá marcar de forma quase irreversível os adultos que eles se irão tornar amanhã.

Descobri que talvez seja aqui que reside a forma como podemos ajudar a mudar o mundo. Se esse papel nos cabe a nós, então o meu papel também pode passar por estudar e divulgar alternativas, métodos, ferramentas, acções que podem contribuir para este objectivo.

Uma dessas alternativas que me surgiu foi precisamente a Pedagogia desenvolvida por Maria Montessori. Para além de ir completamente ao arrepio do que infelizmente ainda é o nosso sistema de ensino, e no qual não acredito e desejo que mude, tem ensinamentos perfeitamente passíveis de serem aplicados nas nossas casas, todos os dias, com os nossos filhos, e fazer desde logo a diferença.

Quanto mais lia, quando mais pesquisava, mais sentia dentro de mim que era mesmo isto. É mesmo isto que quero para o meu filho. Uma educação que quer educar Crianças para a Paz, educar Crianças a conhecerem-se, onde se respeita o ritmo de cada uma e se ensina o respeito pelos outros e pela Natureza, onde se procura estimular aquilo que é de facto especial em cada um, reconhecendo que não somos todos iguais. Onde as Crianças não crescem num mundo de competição e de não-questionamento. Crianças que crescem com auto-estima, que questionam, com confiança de que são realmente capazes, capazes de fazer escolhas, crentes de que conseguem, e que crescem em ambientes livres para serem Crianças.

Infelizmente em Portugal ainda é uma pedagogia em desenvolvimento, com uma oferta educacional que não se compara à existente noutros países como a Holanda, a Itália, os EUA, ou mesmo a Índia. No entanto, o que me move neste caminho, é que divulgar este conhecimento é o primeiro passo para a mudança, que se sente que está a acontecer.

Neste meu percurso encontrei uma outra mãe que partilha do mesmo pensamento e desejo que eu, e da vontade de contribuir para que essa mudança comece já hoje e em cada um de nós, surgiu este Jardim da Descoberta.

E esse é o sonho de descoberta e partilha que nos trás aqui hoje. Uma vontade enorme de aprender e partilhar informações, experiências, conhecimentos, que nos ajudem a concretizar essa mudança, aliada a práticas e ferramentas que ajudam as Crianças a contactarem com o Mundo, consigo mesmas, com outras culturas e que ajudem os nossos filhos a crescer de forma harmoniosa, saudável e sobretudo muito feliz.

Ser mãe mudou realmente algo em mim. Um desejo muito forte de dar ao meu pequeno o melhor que consiga, respeitando a Criança que ele é, ciente da importância que tenho para que se torne um adulto capaz e feliz. Também este é e deve ser um caminho da nossa própria descoberta, e uma oportunidade de respondermos a tantos porquês da nossa existência e tornarmo-nos pessoas melhores, pois, em última análise, o que nós somos é aquilo que nós transmitimos.

Maria Sousa

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